Krav Magá

Por Leonardo Costa

Uma ferramenta que amplia as possibilidades de defesa contra a violência, valorizando a vida.

A violência é algo que vem crescendo a cada ano, ocasionando perdas irreparáveis com a morte de cidadãos civis e militares. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) confirmaram o aumento expressivo da violência no Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2017, em relação ao ano anterior. O aumento de homicídio doloso (10,2%), roubos seguidos de morte (21,2%) e roubo de celular que chegou a 11.030 ocorrências são alguns dos pontos que mais chamam a atenção.

Muitos são os desafios encontrados pela população e principalmente pelos agentes de segurança pública, tanto regional quanto nacional, em relação à opressão e medo criado pela violência existente em nossa sociedade. Pensando em contribuir com a ampliação de alternativas que contribuam para a valorização da vida, com menos violência, a ASSIST entrevistou o mestre de Krav Magá e fundador da Federação Sul Americana de Krav Magá, Kobi Lichtenstein. Mas, a jornada até o Brasil foi longa.

Um pouco da história
O Krav Magá teve a sua origem em Israel pelas mãos de mestre Imrir Lichtenfeld (1910-1998), em 1942, meados da Segunda Guerra Mundial. Nascido em Budapeste, sua trajetória até Israel atravessou a experiência da guerra. Desenvolveu as técnicas de defesa ao longo da sua atuação no exército britânico, com experiências em combates na Líbia, Síria, Líbano e Egito. Quando instrutor chefe de preparo físico do exército israelense pode ampliar a sua atuação e expandir os seus ensinamentos para a população civil.

No pós-guerra vitorioso de 68, o Krav Magá foi reconhecido como uma ferramenta de transformação, por contribuir para o fortalecimento da autoestima da nação. “A população começou a ser mais ativa, mudando toda a vida do israelense, acreditando na sua constituição. Levando as famílias a criar novos hábitos, inclusive na minha família”, reconhece mestre Kobi, discípulo direto de mestre Imi desde os seus três anos de idade.

Mestre Kobi, durante uma visita turística ao Brasil, percebeu que a realidade da população estava muito próxima da realidade de Israel em 67. “Vi como as pessoas estavam reféns da violência. Não acreditavam no poder público com a estrutura de segurança”, lembra. Confiante de que o Krav Magá pode mudar esta realidade, decidiu vir para o Brasil e criou em 1990 a Associação Brasileira de Krav Magá. Hoje, Federação Sul Americana de Krav Magá, pela atuação internacional.

Atualmente, presentes no México e Argentina, a propagação da técnica não foi fácil no Brasil. Na época, poucos conheciam o país de origem e a sua filosofia. Inicialmente, foi reconhecido simplesmente como a defesa pessoal de Israel. Com os cursos oferecidos às empresas e instituições de segurança (civil, policial e militar) a consolidação da técnica foi acontecendo gradualmente no Brasil e consequentemente na América do Sul. Mestre Kobi afirma que, “podemos considerar que a Federação é a maior organização de Krav Magá no mundo”.

O Krav Magá é uma técnica que vem dar a qualquer pessoa a possibilidade de decidir o seu destino”.
Mestre Kobi

A filosofia da igualdade
Mas afinal, qual o significado da palavra Krav Magá? Krag significa combate e magá contato. Mas, segundo mestre Kobi, incorporando a filosofia desta arte, o significado é mais amplo, como combate do defensor. Combate de quem defende, não apenas a si mesmo, mas o próximo, o outro. Uma defesa que quando expandida para o coletivo reflete o poder do autocontrole, alinhado à técnica com movimentos simples e objetivos de neutralização da violência.

Orgulhoso de ter servido as forças de Israel, mestre kobi afirma que o Krav Magá “é uma técnica que vem dar a qualquer pessoa a possibilidade de decidir o seu destino”. Independentemente de idade, sexo e estado físico, é uma técnica que amplia particularmente o grau de consciência do indivíduo, possibilitando a melhor escolha de reação, nas mais diversas situações de violência.

O Krav Magá está sendo reconhecido como uma ferramenta capaz de ampliar as possibilidades de defesa, perante um ato de violência, com respostas simples, rápidas e conscientes. Indo contra a cultura do medo e o aumento da violência, onde os cidadãos exercem o seu direito à vida. “Não há dúvida de que a reação certa pode fazer a diferença”, declara mestre Kobi.

Reação como elemento surpresa
Durante nossa entrevista, em uma breve análise, foi possível perceber que agressores sempre procuram vítimas com aparências mais frágeis, fracas e vulneráveis. Que não poderiam reagir, como mulheres grávidas, idosos, crianças e homens que não apresentam uma estrutura mais forte. “Mas a orientação sempre é a de não reagir. Talvez, por não termos uma forma adequada de reação a este tipo de violência nas ruas”, afirma mestre Kobi.

É possível concluir que, a melhor situação sempre será aquela em que não é necessária a utilização de defesa. “Mas, é preciso começar a acreditar que quando a sociedade começar a reagir, tudo poderá ficar diferente”, afirma mestre Kobi, refletindo sobre a lógica no medo. “Quando não reagimos, a coragem do agressor cresce e se fortalece. Lembre que o agressor ou assaltante também está com medo. Ou seja, quando reagimos, com técnica e consciência, o medo do agressor cresce, a euforia diminui, a coragem some e ele foge”, complementa.

O impacto na segurança pública
As técnicas, a filosofia e os pensamentos do Krav Magá estão sendo cada vez mais usados e adotados pelas forças de segurança, tanto nacional quanto regional. Mestre Kobi afirma que, ao terminar o treinamento de um grupo a mudança é expressiva, com outra cultura e aspectos. Descontruindo o senso comum da abordagem desrespeitosa e letal, caracterizadas em sua maioria como abuso de poder.

O agente de segurança tem uma ligação muito forte e expressiva com a sua arma de fogo e o Krav Magá pode ser utilizado como um instrumento de expansão das opções de intervenção. Ele foi criado para qualquer tipo de situação, com respostas preparadas, planejadas e organizadas. É a possibilidade de uma nova perspectiva de como lidar com a violência que vai contra o agente, tanto no momento de trabalho como no seu cotidiano.

Onde Treinar
Como toda a arte de defesa pessoal ou marcial, o aluno precisa de uma imersão, para vivenciar a sua filosofia e valores. Ressaltando a importância do treino na vida do aluno, mestre kobi diz que mantém o seu treino, pois é nele onde as suas habilidades técnicas, físicas e mentais estão guardadas. “Se você não treina perde reflexo, velocidade e agilidade”, relata e chama a atenção para o cuidado com charlatões que prometem o aprendizado em um curto espaço de tempo.

São mais de 180 instrutores, distribuídos em mais de 200 academias estruturadas, em 3 países da América do Sul. Basta acessar o site www.kravmaga.com.br para conferir os endereços e contatos das unidades de onde treinar. Uma das finalidades da Federação Sul Americana de Krav Magá é atestar a qualidade da técnica ensinada pelos instrutores, além de preparar, reciclar e supervisionar as suas atividades, garantindo a técnica originada em Israel.

Além das forças de segurança, também é ministrada defesa pessoal para grupos específicos como mulheres, crianças e executivos. Otimista com as possibilidades de mudança em nossa sociedade, mestre Kobi deixa a dica para seguirem o perfil da Federação no facebook e ficar atento a programação que acontecerá em 2018, em comemoração aos seus 50 anos de Krav Magá. A Reação certa, no momento certo, sempre pode fazer a diferença.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Quem pode fazer Krav Magá?

Todo mundo! Independente de sexo, idade ou condicionamento físico.

A partir de que idade pode se praticar Krav Magá?
A partir de 10 anos, a criança já pode participar das turmas regulares, mas é recomendada uma aula experimental antes, para ver se a criança se adapta à turma. Algumas academias oferecem turmas infantis a partir de 5 anos de idade, com uma didática apropriada para a faixa etária.

Há competições?
Não. Krav Magá não é esporte e não é arte marcial. O objetivo não é uma medalha ou troféu, é retornar para casa em segurança.

Krav Magá para civis é o mesmo que para profissionais de segurança?
Sim. Krav Magá é um só, mas tem objetivos e didáticas de treinamento diferentes, pois as situações que um civil enfrenta são diferentes de um profissional de segurança. O trabalho é muito objetivo, buscando atingir pontos sensíveis do corpo humano.

A aula estimula a violência?
Muito pelo contrário, o aluno desenvolve a autoconfiança e esse crescimento interno é visível em sua postura e comportamento. Além disso, a Federeção Sul Americana de Krav Magá trabalha com rigidez os princípios de disciplina e com regras desde as mais simples.

É possível aprender vendo filmes ou lendo livros?
Não é possível se aprender Krav Magá de modo autodidata. É preciso treinar e vivenciar sob orientação profissional.


Ferederação Sul Americana de Krav Magá
R. Sorocaba, 258 – Botafogo / RJ
Tel.: (21) 2226-3807
E-mail: kravmaga@kravmaga.com.br
facebook/mestrekobikravmaga

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