Piolho na volta às aulas

Por Leonardo Costa

Muito comum entre as crianças devido as suas aglomerações e compartilhamento de objetos como bonés e pentes.

Com a volta às aulas, muitos pais ficam preocupados com um problema que ainda é cercado de preconceito, mas que atormenta a humanidade há milhares de anos. A infestação de piolhos é comum pela aglomeração cotidiana em creches e escolas. O ambiente se torna ideal para a proliferação do parasita.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, pediculose é uma doença parasitária causada por piolhos. Diferente do senso comum, pediculose capilar, ou popularmente conhecida como infestação de piolhos, não tem relação com higiene pessoal e nem contamina o outro simplesmente por estar no mesmo ambiente que a pessoa contaminada.

O piolho, Pediculus humanus capitis, é classificado como um inseto que se alimenta do sangue humano e se reproduz muito rápido. Eles se instalam na base do cabelo, também conhecido como folículo piloso. Nesta base, é onde eles também colocam seus ovos (lêndeas) e se alimentam. Além de terem a reprodução influenciada pela temperatura corporal.

Reprodução
Se atente, pois, um piolho adulto pode chegar a ter de 2 a 3 mm. Com seis patas, a sua cor pode variar de marrom a branco-acinzentado. A sua reprodução é muito rápida e o tratamento deve ser imediato. Uma fêmea pode viver entre 3 e 4 semanas, capaz de colocar 10 ovos por dia na vida adulta. Com um ciclo de reprodução que se repete a cada 3 semanas, em um mês, são aproximadamente 300 novos piolhos.

As fêmeas levam em torno de 9 a 12 dias para se tornarem adultas. Capazes de produzir uma substância similar a cola, as ninfas deixam os ovos fixados na raiz do cabelo. As lêndeas se camuflam no cabelo, sendo mais visíveis quando já estão vazias, por ficarem brancas. Os ovos são encubados pelo calor do corpo humano, podendo eclodir entre 8 e 10 dias.

Diagnóstico e Sintomas
Para ter certeza da presença de piolho, tente identificar a presença dos bichinhos e lêndeas a olho nu, utilizando um pente fino. Geralmente, as lêndeas estão localizadas próximas a raiz dos fios. São de fácil reconhecimento, considerando que são bem diferentes da caspa e ficam grudadas no pelo.

Preste atenção no comportamento da criança. Como os piolhos se alimentam 4 vezes ao dia, acabam injetando a sua saliva no couro cabeludo. A saliva tem algumas propriedades vasodilatadoras, anestésicas e anticoagulantes. Logo, esta combinação faz as picadas provocarem coceira intensa, feridas devido a coceira, marcas visíveis das picadas e em alguns casos, podem aparecer ínguas e infecções secundárias nos casos mais graves de infestação. Transmissão Aquela velha história de não ficar muito perto dos coleguinhas por que os piolhos podem voar ou pular não se aplica. O piolho não pula e nem voa, ele se arrasta. Logo só poderá ser transmitido por contato direto entre quem tem e quem não tem piolho. Não é aconselhável compartilhar alguns objetos como prendedores, tiaras, arcos, escovas de cabelo, boné, lenços e até mesmo roupa de cama, incluindo travesseiros.

Agora se atente a curiosidade, segundo uma publicação no site do Dr. Drauzio Varella, “ao pentear o cabelo seco é possível produzir eletricidade estática que pode lançar os insetos a até um metro de distância”. E, agora? Não precisa se desesperar, o tratamento é simples, mas requer mobilização da família e da escola.

Como tratar
Paciência e disciplina são os principais requisitos para eliminar piolhos e lêndeas. O tratamento mais adequado e indicado por médicos e farmacêuticos são shampoos e loções com substâncias específicas como inseticidas. Porém, já existem medicamentos administrados por via oral. Para eliminar de vez a infestação é preciso mobilizar toda a rede que teve contato direto com a criança infectada, mesmo tendo ausência dos sintomas. Isto inclui toda a família e coleguinhas da escola. Entre em contato com a escola e mobilize a direção para alertar os pais das outras crianças.

No caso dos shampoos, o tempo e o modo da aplicação podem variar de acordo com a composição do produto. A maioria deve ser aplicada com o cabelo seco, por atuar diretamente matando o piolho por asfixia. Ao molharmos o cabelo, os piolhos vão fechar os orifícios respiratórios, não sendo afetado pelo produto.

O tratamento habitual é a base de inseticidas piretróides de aplicação local. Mas, não se assuste, eles são um composto químico sintético similar às substâncias naturais produzidas pelas flores do gênero Pyrethrum. Geralmente, após a aplicação o medicamento precisa ficar na cabeça durante 10 a 15 minutos, protegido por uma touca. Não é aconselhado utilizar sacos plásticos, pois podem sufocar a criança.

Depois de retirar a touca, utilize um pente fino para retirar as lêndeas. Aproveite o momento do banho devido a abundância de água. Uma segunda aplicação pode se fazer necessária, caso após 1 semana ainda haja sinais de infestação. Se após a segunda aplicação, os sinais de infestação ainda existirem, procure um médico.

As falhas no tratamento são consideradas as principais razões para o retorno das infestações. Independentemente do medicamento, sempre leia a bula e siga as instruções apresentadas. Se atente a forma de aplicação e dosagem, que geralmente é de acordo com o peso da criança.

ALERTA: O não tratamento pode causar até anemia, devido aos piolhos se alimentarem de sangue. Além de atrapalhar o desempenho na escola, com as coceiras e noites mal dormidas.

PERGUNTAS FREQUENTES

Por que crianças pegam mais piolho?
Porque na fase escolar elas passam mais tempo em aglomerações. Quando são pequenas, o contato é ainda maior devido a brincadeiras e compartilhamento de objetos, como brinquedos, pentes e outros.

Piolho tem a ver com falta de higiene?
Não. Pelo contrário: o piolho prefere os cabelos limpos.

Vinagre ajuda contra piolho?
Sim, mas seu benefício não é o mesmo do medicamento, que é mais eficaz para matar o parasita. O vinagre pode ser útil para desgrudar as lêndeas do cabelo e facilitar sua remoção com o pente fino. Ou seja, a solução pode ser usada como complemento, para retirar piolhos e lêndeas que restaram após a aplicação do medicamento. Utilize uma medida de vinagre para uma medida de água.

Piolho voa ou pula?
Pode haver confusão com as pulgas, mas os piolhos não pulam. Porém, são tão leves que podem ser carregados pelo vento e passar de uma cabeça para outra. A forma mais comum de pegar, porém, é por contato direto.

Piolho transmite doenças?
Não, mas a ferida que se forma a partir da coceira pode ser uma porta para infecções, principalmente bacterianas.

É verdade que cabelos com química, como os tingidos, são mais protegidos de piolhos?
Não, o risco é o mesmo. Tingir os cabelos (assim como fazer chapinha ou usar secador muito quente) enquanto a infestação já está instalada pode matar piolhos, mas não tem efeito sobre as lêndeas.

Recomendações para evitar e tratar piolhos
1) Examine com frequência a cabeça das crianças;

2) Não siga receitas caseiras, que além de ineficazes podem fazer mal à saúde. Também não use pesticidas ou substâncias como querosene: além de tóxicos, não matam os ovos;

3) É mais fácil identificar e tratar os piolhos quando o cabelo é curto, mas o comprimento do cabelo não influi no risco de infestação, nem em seu tratamento;

4) A família toda deve ser examinada. Se parentes dividirem a cama, devem ser tratados mesmo que não tenham piolhos. Apesar da transmissão por objetos ser mais rara, limpe todos os itens de uso pessoal que tenham entrado em contato com a cabeça da pessoa infectada em 24 a 48 horas antes do início do tratamento (os piolhos morrem em menos de 48 horas sem se alimentar de sangue);

5) As crianças infectadas não precisam faltar na escola, pois a contaminação entre colegas de classe, apenas por coabitarem o mesmo ambiente, não é comum. No entanto, os responsáveis na escola devem ser avisados para que orientem quanto a impedir a transmissão e instruam outros pais a tomarem medidas de tratamento;

6) Instrua as crianças para não usarem escovas de cabelo ou bonés dos colegas de escola;

7) Verifique se cílios e sobrancelhas também não estão afetados pelo inseto.

Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br

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