Glúten e lactose

Descobrir alguma intolerância ou alergia a alimentos pode ser um pesadelo, mas também é uma grande oportunidade de rever a sua alimentação e torná-la mais saudável.
Por Leonardo Costa

Os avanços tecnológicos na medicina foram fundamentais para nos ajudar a identificar doenças que aparentemente podem estar camufladas por sintomas corriqueiros. Sintomas que nos induzem a um diagnóstico popular completamente equivocado. O mito da intolerância à lactose nunca foi tão fundamentado e diagnosticado como nos últimos anos.
O mesmo acontece com os celíacos, que não podem ingerir glúten. E, algumas pessoas são capazes de afirmar que antigamente estas doenças não existiam. Que isso é algo recente. Mas, é preciso reconhecer os avanços da medicina nos diagnósticos que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Se você tem algum desconforto ao ingerir determinados alimentos, fique atento, pois é sinal de que algo pode estar errado.
Ser intolerante ou sofrer de alergia é o simples fato de fazer parte do mundo. Você não está sozinho, estas condições afetam inclusive pessoas famosas como Isis Valverde, Ana Carolina e Roberta Miranda (celíacas), que precisaram fazer restrições alimentares. Uma alimentação saudável traz um corpo mais saudável e alguns artistas também se utilizam desta restrição alimentar para atingir alguns objetivos estéticos como emagrecer ou diminuir massa muscular.

Doença celíaca

A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA) explica que, é uma “desordem sistêmica autoimune, desencadeada pela ingestão de glúten. É caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado que pode resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com consequente má absorção intestinal e suas manifestações clínicas. O glúten é uma proteína que está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio, cevada e malte.”

Sintomas e diagnóstico

A FENACELBRA alerta que a doença celíaca pode matar. Mais recorrente entre as mulheres, ela causa anemia, atraso no crescimento, distensão e dor abdominal, diarreia crônica, vômitos e falta de apetite. Além de proporcionar alteração no peso (emagrecimento ou obesidade) e no humor (irritabilidade ou desânimo).
Para diagnosticar uma pessoa celíaca o médico irá precisar analisar com muita atenção o quadro do paciente e ter como referência exames de sangue como dos anticorpos anti-transglutaminase tecidular (AAT) e anti-endomisio (AAE), pois são considerados precisos. Mas, a sua confirmação é feita quando a endoscopia com biópsia encontra mudanças nos vilos que revestem o intestino delgado.

Tratamento

No caso dos celíacos, a única alternativa é a retirada definitiva do glúten da alimentação. Ou seja, retirar tudo que tenha trigo, aveia, centeio, cevada, malte e todos os seus derivados. A primeira impressão poder ser um pouco desesperadora, mas existem alternativas saudáveis e criativas que proporcionam sabor à vida do celíaco. Mas, é preciso se dispor a novos sabores e ampliar o paladar.

Dermatite Herpetiforme

É uma variante da doença celíaca que a FENACELBRA chama atenção: “A pessoa apresenta pequenas feridas ou bolhas na pele que coçam (são sempre simétricas, aparecendo principalmente nos ombros, nádegas, cotovelos e joelhos). Também exige uma alimentação sem glúten por toda a vida.”

O que comer?

Como mencionamos anteriormente, não é o fim do mundo. Existem alternativas que podem compor uma alimentação saudável como cereais (arroz e milho) e farinhas de mandioca, arroz, milho, fubá e féculas. Gorduras, laticínios, frutas, hortaliças, leguminosas, carnes e ovos ainda continuam fazendo parte da dieta, de acordo com a FENACELBRA.

Lactose

Com origem no Latim, a lactose é um hidrato de carbono composto por duas substâncias: A glicose e a galactose. Exclusiva do leite, ela representa aproximadamente 7% do leite materno e 5% do leite bovino. A absorção pelo nosso organismo só acontece devido á enzima lactase, responsável por dividir as duas substâncias da lactose e proporcionar a sua digestão.

Intolerância

Quando o organismo não produz ou produz quantidades baixas de lactase, adquirimos níveis de intolerância à lactose. Como consequência, a lactose não é quebrada e chega ao intestino grosso inalterada. Especialistas explicam que o seu acumulo e fermentação pela flora intestinal produz gases e ácido lático que contribuem para muitos sintomas incômodos. Basicamente, não conseguimos digerir o alimento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, existem três tipos de intolerância à lactose com diferentes causas: Hipolactasia do “tipo adulto”, intolerância congênita à lactose e a intolerância secundária à lactose. A idade, a etnia, o nascimento prematuro e algumas doenças que afetam o intestino delgado são considerados como fatores de risco para o desenvolvimento da intolerância à lactose.

Sintomas e diagnósticos

Os sintomas são subjetivos, dependendo do organismo de cada um. Os mais comuns são o aumento dos ruídos abdominais, inchaço, gases. Além de náuseas, vômitos, diarreia e muita cólica. O diagnóstico é feito por um médico, de preferência especialista em doenças do trato intestinal, o gastroenterologista que irá analisar os seus sintomas e pedir exames que o ajudem no diagnóstico.

Tratamento

Não sendo reconhecida como uma doença, mas como uma disfunção do organismo, é possível o seu controle com dietas e medicamentos. Em alguns casos, o intolerante pode ter uma vida normal evitando o consumo excessivo de leite e seus derivados. Desaparecendo os sintomas, com uma boa orientação médica, os alimentos podem retornar a dieta do paciente de forma gradativa. Assim, é possível medir o grau de intolerância do paciente e o quanto que o seu organismo suporta.
A lactase artificial já é comercializada no Brasil e pode ser consumida por qualquer pessoa que tenha intolerância. Mas, é preciso se atentar a alguns detalhes muito importantes. Apesar de ser um complemento alimentar e não um medicamento, a sua quantidade de cápsulas a ser ingerida deve ser orientada por um médico. Pois é preciso saber quanta lactose o seu corpo produz, entender a sua capacidade digestiva para poder equilibrar a quantidade de lactose que você pode consumir com a quantidade de lactase que precisa ser complementada.

Alergia

A intolerância se torna mais simples quando comparada à Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). A alergia se torna mais grave, pois ela é uma reação do sistema imunológico a proteína do leite que é considerada como um corpo estranho ao organismo. Ela pode ser detectada ainda na infância, nos dois primeiros anos de idade e tem sintomas gastrintestinais, cutâneos e respiratórios mais agressivos como: Vômitos, sangue nas fezes, dificuldade de engolir, urticária, inchaço nos olhos e lábios, coriza, obstrução nasal e até respiração dificultada.
No caso da APLV, a intervenção é mais radical nos hábitos alimentares, eliminando o leite e seus derivados da dieta. Dependendo do caso, é possível com a vacinação específica criar resistências naturais nos pacientes. Além de alguns medicamentos que podem amenizar os sintomas iniciais, quando ingerido acidentalmente o alimento.

Alternativas veganas

Apesar de já existir uma linha de produtos suplementados com lactase e leites com baixos teores de lactose, os leites vegetais podem ser considerados as melhores opções para manter os níveis de vitaminas e minerais que o nosso organismo necessita. São fáceis e muito mais baratos de se produzirem em casa. Com as técnicas culinárias certas é possível produzir inclusive substitutos para alguns queijos. Na edição 94 da Revista ASSIST, trouxemos uma matéria completa sobre leites vegetais. Visite o nosso blog e confira as receitas das deliciosas alternativas.
O leite de vaca não é a única fonte de cálcio, você pode optar por algumas alternativas saudáveis como: brócolis, espinafre, chia, tofu, soja, aveia, grão-de-bico, semente de gergelim e linhaça.

Queijos

Comê-los ou evitá-los? Isto vai depender da capacidade de digestão do organismo. Segundo a plataforma semlactose.com, o processo natural de fabricação dos queijos reduz o teor de lactose, podendo variar de 0,06g a 3,0g por cada 100g do produto. Mussarela de vaca (0,07g), gorgonzola (0,06g) e parmesão (0,06g) são os que apresentam o menor teor.

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