CORAÇÃO FORTE

CORAÇÃO FORTE

Como prevenir doenças cardiovasculares com atitudes simples

Por Leonardo Costa

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. A boa notícia: a maioria dos casos pode ser evitada. Nesta matéria, reunimos recomendações das principais sociedades brasileiras de cardiologia e hipertensão para ajudar você a proteger o seu coração com medidas práticas.

O QUE REALMENTE FUNCIONA PARA PREVENIR DOENÇAS DO CORAÇÃO

1. CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL

A hipertensão é considerada o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares e está fortemente associada a infarto e AVC. Diretrizes brasileiras recentes (incluindo as atualizações coordenadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) reforçam que identificar e tratar a hipertensão na Atenção Primária salva vidas. Monitorar a pressão em casa, adotar medidas não farmacológicas (redução de sal, perda de peso, atividade física) e iniciar terapêutica farmacológica quando indicada são passos-chave. Em 2025 houve atualização das recomendações brasileiras sobre manejo da hipertensão, refletindo a importância de metas individualizadas e de tratamento oportuno.

2. PARE DE FUMAR (E GANHE ANOS DE VIDA)

O tabagismo acelera a aterosclerose e aumenta dramaticamente o risco de eventos agudos. Parar de fumar reduz o risco de infarto e AVC em meses a anos e traz benefícios cardiovasculares perceptíveis em curto prazo. As diretrizes de prevenção cardiovascular consideram cessação do tabaco uma das intervenções mais efetivas que qualquer indivíduo pode adotar. Programas de apoio (terapia comportamental, uso de medicamentos como reposição de nicotina quando indicado) aumentam as chances de sucesso.

3. COMA MELHOR, VIVA MELHOR

Dieta é determinante: excesso de sal, gorduras saturadas e trans, açúcar e alimentos ultraprocessados elevam os riscos. Diretrizes brasileiras e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendam reduzir o consumo de sal (o ideal populacional é abaixo de 5g/dia segundo parâmetros internacionais), privilegiar frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais, peixes e óleos vegetais não saturados. Pequenas mudanças diárias como trocar alimentos ultraprocessados por opções frescas, reduzir sal e temperar com ervas podem resultar em grande impacto.

4. ATIVIDADE FÍSICA: 150 MINUTOS QUE VALEM OURO

A prática regular de atividade física pode reduzir pressão arterial, melhora perfil lipídico, controla glicemia e diminui obesidade. As recomendações globais sugerem pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento. Para muitas pessoas, começar devagar com 30 minutos por dia, divididos entre caminhada e subir escadas, já faz enorme diferença.

5. EXAMES EM DIA: GLICEMIA E COLESTEROL

Diabetes mal controlada e níveis elevados de LDL-colesterol aumentam o risco de eventos cardiovasculares. O rastreamento com exames clínicos deve ser parte da atenção primária em adultos com fatores de risco. As diretrizes brasileiras e internacionais explicitam metas de tratamento e quando iniciar estatinas para redução de risco; além disso, o controle glicêmico e o manejo de comorbidades ampliam a proteção cardiovascular.

QUANDO FAZER AVALIAÇÃO DE RISCO E PROCURAR O MÉDICO

Nem todo mundo precisa de exames sofisticados, mas a avaliação do risco cardiovascular individual é recomendada para adultos a partir dos 40 anos ou mais cedo quando há fatores de risco como tabagismo, hipertensão, diabetes e história familiar precoce.

Ferramentas de cálculo de risco (como as recomendadas por sociedades internacionais) ajudam a decidir medidas preventivas intensivas e quando iniciar medicamentos, além de orientar a prioridade de intervenções. Para quem já teve infarto, AVC ou doença arterial periférica, a prevenção secundária com medicamentos e reabilitação é essencial.

Procure serviço de saúde se tiver dor torácica, falta de ar inexplicada, desmaios, ou sinais de AVC. Mas também busque avaliação rotineira para detectar hipertensão, diabetes e dislipidemia, pois são condições silenciosas que causam grande dano ao longo do tempo.

O QUE VOCÊ PODE FAZER AINDA HOJE

  • Medir a pressão arterial
  • Reduzir o sal do prato
  • Trocar um ultraprocessado por fruta ou legume
  • Caminhar 20 minutos
  • Beber mais água
  • Evitar álcool em excesso
  • Marcar consultas e fazer exames anuais

SINAIS DE ALERTA: PROCURE AJUDA IMEDIATA

No Brasil, o procedimento correto é acionar imediatamente o SAMU pelo número 192. Se você estiver em rodovias federais ou em locais atendidos pela Polícia Rodoviária Federal, o telefone 191 também pode dar suporte para acionar atendimento.

A orientação das sociedades de cardiologia e neurologia é clara: qualquer suspeita de AVC ou infarto deve ser tratada como emergência absoluta. Cada minuto perdido aumenta o risco de morte ou sequelas graves.

Sinais de AVC

  • Boca torta
  • Dificuldade para falar
  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo
  • Perda de equilíbrio ou visão

Sinais de infarto

  • Dor ou desconforto no peito em aperto, podendo irradiar para braço, pescoço ou mandíbula
  • Falta de ar
  • Suor frio
  • Palidez
  • Sensação de desmaio

COMO AGIR NA PRÁTICA

1. Ligue para o SAMU: 192.

Informe que há suspeita de AVC ou infarto.
A regulação médica prioriza esse tipo de ocorrência.

2. Descreva os sintomas

Isso ajuda a equipe a enviar o atendimento mais adequado.

3. Não transporte a vítima em carro particular (exceto em locais extremamente remotos).

O atendimento pré-hospitalar é decisivo para salvar vidas, porque a equipe já inicia os primeiros socorros e encaminha para um hospital de referência.

4. Mantenha a vítima calma e em segurança.

Não ofereça água, remédios ou comida. Apenas acompanhe e observe.

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